Prémios LNL 2016: Os Vencedores

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Estes foram os Prémios LNL mais participativos de sempre.

Depois de contabilizados os mais de 1000 votos recebidos ao longo dos últimos 12 dias, ficou patente que a crescente qualidade dos restaurantes da capital, aliada a maior concorrência e a maior oferta, contribuiu para a imprevisibilidade de algumas categorias desta edição dos prémios. Em muitas categorias, o primeiro lugar mudou várias vezes durante os dias de votação, enquanto que noutras foi o mesmo desde o primeiro dia. Foram também adicionadas duas novas categorias em comparação com o ano passado: a categoria de Melhor Bife do Ano e a do Melhor Atendimento

Entretanto, nas redes sociais, emails, e em conversas de quintal, opiniões foram partilhadas, julgamentos foram feitos, discussões acenderam. Quais deles os melhores? Chegou, finalmente, o momento de revelarmos os Vencedores dos Prémios LNL 2016.

Os Vencedores

Melhor Sushi do Ano: Restaurantes Kook

Primeiro lugar: Restaurantes Kook (34,2% dos votos)
Segundo lugar: Restaurantes K (24,9% dos votos)

Pela primeira vez na história dos Prémios LNL, outro restaurante que não o Cais de Quatro ganhou o prémio do Melhor Sushi do Ano. A proeza coube ao Kook e ao seu sushiman angolano José Raimundo, que delicia os clientes da casa tanto no restaurante de Talatona como no Kook Sushi Bar do Restaurante Mirage (Edifício Deana Day Spa, na Marginal). Criadores do Festival de Sushi, que acontece todas as terças em Talatona e na Marginal, o Kook ganhou com 34,2% dos votos. Já os Restaurantes K (K Luanda Chic e K Paz Flor) aparecem no pódio pela primeira vez, graças ao excelente trabalho do sushiman Euder Leite, do Brasil.

Restaurante Kook
947 336 684
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Melhor Churrascaria do Ano: Nandinho’s

Primeiro lugar: Churrascaria Nandinho’s (34,6% dos votos)
Segundo lugar: Frango no Churrasco (33,4% dos votos)

Nem tudo foi um mar de rosas para o Nandinho’s em 2016. Em Setembro, os donos deste famoso restaurante foram assaltados e agredidos brutalmente após mais um dia laboral. Mas isso não fez com que a casa desistisse. Hoje, ganham mais um prémio de Melhor Churrascaria do Ano, o terceiro desde o começo dos Prémios LNL em 2013, fruto do seu enorme trabalho. Mas a disputa foi renhida: o Frango no Churrasco obteve 33,4% do voto, quase empatando com os vencedores.

Churrascaria Nandinho’s
222 430 840
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Melhor Geladaria do Ano: Gelados Amore

Primeiro lugar: Gelados Amore (39,8% dos votos)
Segundo lugar: Be Delicious (22,1% dos votos)

Foi uma vitória contundente dos Gelados Amore de Talatona, vencedores desta categoria pela primeira vez. Ganharam com quase 40% do voto. Toda a operação dos Gelados Amore é assegurada por angolanos, algo que muito orgulha os gerentes do projecto. Os deliciosos gelados que saboreia neste espaço são assegurados por produtores, quintas e fornecedores locais; os donos consideram a fruta de Angola uma das melhores do mundo. A geladaria Be Delicious, vencedores dos Prémios do ano passado e antepassado, obtiveram 22,1% do voto do público.

Gelados Amore
927 749 178
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Melhor Quintal do Ano: La Vigia

Primeiro lugar: La Vigia (43,3% dos votos)
Segundo lugar: Kintal da Tia Guida 2 (24,8% dos votos)

Já é tradição. Desde a primeira edição dos Prémios LNL em 2013 que nenhum outro quintal na capital consegue destronar o La Vigia. E as coisas por lá vão tão bem que o Jégé abriu recentemente um La Vigia em Viana, no Kikuxi. Os luandenses continuam a achar que este é o melhor quintal da cidade (os expressivos 43,3% do voto confirma isso), e os excelentes grelhados na brasa que se fazem por aqui (diz-se ser o melhor sítio pra comer peixe grelhado por estas bandas) deve ajudar muito. O Kintal da Tia Guida 2, na Ilha do Cabo, obteve uns respeitáveis 24,8% do voto e saiu assim em segundo lugar.

La Vigia
945 817 272
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Melhor Bar/Lounge do Ano: Bar Bar

Primeiro lugar: Bar Bar (33,5% dos votos)
Segundo lugar: D Club (15,5% dos votos)

É impressionante: no seu primeiro ano de actividade, o Bar Bar conquistou suficiente os corações do público local e conseguiu vencer a categoria de melhor bar/lounge da cidade. Localizado no Maculusso, este espaço versátil tem tudo para todos: noites de karaoke, noites de DJ, noites de música ao vivo, noites de música dos anos 80, noites em que a pista está repleta de gente, noites em que a malta está mais é a jogar snooker…e para além desta variedade, serve comida e cocktails deliciosas. O D Club, na Ilha do Cabo, conhecido por tocar bom hip-hope Rnb, obteve o segundo lugar com 15,5% do voto.

Bar Bar
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Melhor Pizzaria do Ano: Fazendeiro

Primeiro lugar: Fazendeiro (34,6% dos votos)
Segundo lugar: Pizzaria Capricciosa (31,8% dos votos)

Depois de três anos consecutivos a vencer esta categoria, a Pizzaria Capricciosa dá lugar a um “novato”. Este ano, os luandenses elegeram o Fazendeiro como o restaurante que serve as melhores pizzas de Luanda. Feitas num forno a lenha com massa fina e crocante e ingredientes italianos de alta qualidade, as pizzas do Fazendeiro são realmente deliciosas. Vencedores com 34,6% do voto, este restaurante de Talatona conseguiu assim afastar a hegemonia do Capricciosa, que não ficou muito atrás com 31,8% do voto.

O Fazendeiro
931 333 631
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Melhor Hambúrguer do Ano: h3

Primeiro lugar: h3 (40,9% dos votos)
Segundo lugar: ArtBurguer (17,4% dos votos)

Pelo segundo ano consecutivo, uma hamburgaria portuguesa em Talatona ganha o prémio de Melhor Hambúrguer do Ano numa cidade com um número elevadíssimo de roulottes, restaurantes especializados em hambúrgueres gourmet e uma apreciação gigante por esta refeição. E ganha com mais de 40% do voto! É de se admirar. Em segundo lugar ficaram os hamburgueres artesanais do ArtBurguer, com 17,4% do voto, ganhando assim à tangente a Champagneria, que obteve 17% do voto. Normalmente esta é das categorias mais renhidas dos Premios LNL.

h3
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Melhor Bife do Ano: Espaço Luanda

Primeiro lugar: Espaço Luanda (38,1% dos votos)
Segundo lugar: Lookal Assador (20,6% dos votos)

É a primeira vez que incluímos esta categoria nos Prémios LNL, para realçar a qualidade dos pratos de bife que são servidos na capital. Coube ao Espaço Luanda a distinção de vencer esta categoria, logo com quase 40% dos votos. Conhecido pelas sua picanha, carne maturada e claro, o seu famoso T-Bone, o Espaço Luanda foi um dos primeiros restaurantes luandenses do estilo steakhouse e confirma assim a preferência do público local. O Lookal Assador, vencedor do prémio Melhor Churrascaria no ano passado, aparece em segundo lugar com 20,6% do voto.

Espaço Luanda
928 314 680
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Melhor Restaurante Novo do Ano: Café del Mar

Primeiro lugar: Café del Mar (38,9% dos votos)
Segundo lugar: Kimera (28,1% dos votos)

É certamente um dos restaurantes mais concorridos de Luanda hoje em dia. Se quiser mesa numa sexta, o melhor é reservar na quarta. Falamos, claro, do Café del Mar, aberto em Maio de 2016. Localizado na Ilha do Cabo e com vários ambientes, incluindo sofas com vista para o mar, uma área lounge com cocktails premium, uma área de praia e uma expansiva sala de jantar ao ar livre, o Café del Mar rapidamente conquistou o carinho dos luandenses e confirmou o seu estatuto como uma das melhores cozinhas da cidade, chefiada pelo Chefe Executivo Marcus Telmo Ribeiro, de Portugal, e o angolano Octávio Neto. O Kimera, onde o angolano Sismundo Conceição é chef da cozinha e o igualmente angolano Célio Dárcio é sushiman, obteve o segundo lugar com 28,1% do voto.

Café del Mar
923 581 333
Review LNL
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Melhor Atendimento: Kook

Primeiro lugar: Kook (29,7% dos votos)
Segundo lugar: Espaço Luanda (19,4% dos votos)

O atendimento nos restaurantes de Luanda não é famoso. Mas tem havido melhorias significativas, e já era altura de premiarmos e reconhecermos os restaurantes luandenses que dão-se ao trabalho de formar equipas de trabalhadores competentes, simpáticos e eficazes. E 29,7% de vocês elegeram o Kook como tendo o melhor atendimento em Luanda (foi um dos restaurantes que ganhou o mesmo prémio durante o Angola Restaurant Week), seguido pelo Espaço Luanda, cuja equipa é quase toda formada por estudantes da Escola de Hotelaria e Restauração de Talatona. Bem haja!

Restaurante Kook
947 336 684
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O Melhor Restaurante do Ano

INTRODUÇÃO: O NOSSO MÉTODO

Em cada ano que passa tentamos incutir maior cientificidade na escolha daquele que foi o restaurante do ano para o LNL. Fazemo-lo por sabermos das injustiças que sempre cometemos quando queremos destacar alguém.

A seleção dos finalistas é certamente a menos criteriosa e “científica” das formas, mas é a mais democrática que descortinámos no sentido em que permite a seleção de espaços que cairiam a uma avaliação mais escrupulosa, mas essa levar-nos-ia quase invariavelmente aos mesmos restaurantes ano após ano e nós queremos saber o porquê de alguns espaços estarem a ser tão badalados, mesmo se à priori o não consigamos entender.

Passemos então a explicar a forma como selecionamos os finalistas em cada ano: escolhido o júri, que com pequenas alterações vai mudando todos os anos e é da responsabilidade exclusiva do LNL, segue-se a enumeração de cinco restaurantes por parte de cada elemento do júri. Estes cinco espaços são os locais onde os jurados e os seus amigos tiveram as suas melhores experiências durante o ano. É aqui que entra a democraticidade do processo e o torna mais subjetivo. Nós assumimos isso.

Entre os finalistas deste ano encontrava-se o vencedor do ano passado, o Kook. No entanto, uma alteração profunda, com a saída dos seus dois chefes de cozinha principais de uma assentada dias antes da nossa visita deixou-nos numa situação delicada. Por um lado ir lá tão pouco tempo depois iria dar por certo uma ideia errada do valor da cozinha deste belo espaço, por outro lado, nós estamos a votar o melhor de 2016 e as experiências que tivemos lá foram com os chefes que entretanto saíram, não sendo pois justo avaliar o restaurante com outros intervenientes. Não foi uma decisão fácil ou sequer unânime e certamente não será do agrado dos responsáveis do Kook, mas achamos que não estaríamos a ser profissionais procedendo de outra forma.

Por último, neste ano foi introduzida uma vertente numérica ao método de votação. Escolhidos os três finalistas que iríamos visitar, cada membro do júri foi instruído a avaliar a sua experiência nas seguintes categorias, numa escala de 1 a 5 (sendo 1 muito mau e 5, excelente):

  • Qualidade da comida
  • Inovação e criatividade
  • Ambiente
  • Conhecimento sobre vinhos
  • Qualidade do atendimento

Cada membro do júri pontoou os restaurantes de acordo com os critérios acima; no fim, o restaurante com a melhor média final foi declarado o vencedor do prémio.

O Júri

Este ano, o júri foi composto pelas seguintes pessoas, para além de Cláudio Silva, sócio-gerente do LNL:

Helt Araújo, Chef
O Helt é um dos mais bem conhecidos e mais bem viajados Chefs angolanos da actualidade. Natural de Benguela, já estagiou no mítico El Bulli (3 Estrelas Michelin), considerado pelo Restaurant Magazine como o melhor restaurante do mundo 5 vezes no total, e também no restaurante do Hotel Fortaleza do Guincho (1 Estrela Michelin), em Cascais. Em 2016, criou o menu do jantar de gala da Academia Internacional de Gastronomia, o mais importante evento da gastronomia internacional, que decorreu em Paris no Restaurante Epicure (3 estrelas Michelin) do prestigiado Hotel Bristol. O Chef angolano foi acompanhado pelos Chefes Ricardo Braga (ex-Restaurante Caribe) e Bruno Oliveira (ex-Terrakota). Actualmente, o Helt dirige a Guapa Catering; brevemente, abrirá um restaurante em Luanda (e deixará de poder fazer parte do júri LNL!)

Hildérico Coutinho, Escanção/Sommelier
É, para nós, o melhor enófilo em Luanda. Na cidade, é certamente dos mais conhecidos e dos mais incansáveis na tarefa de partilhar a grande sabedoria que é arte de apreciar o vinho. Já trabalhou pelo Gourmet de Belas, o restaurante Luanda Grill, em Luanda, e o Quo Vadis? Enoteca e Cozinha Mediterrânica em Portugal, um restaurante do próprio. Actualmente é sócio-gerente do projecto Clube Nómada, que pretende massificar o consumo e a educação do vinho no país; assina uma crónica semanal no Rede Angola, parceiro de conteúdos do LNL.

Ana Filipa Amaro, Directora Rotas & Sabores
Se o LNL existisse em versão impressa, certamente seria do mesmo género e estilo que a revista Rotas & Sabores, a primeira e única revista angolana dedicada exclusivamente ao turismo, lazer e viagens. Somos parceiros desta publicação da Edicenter, empresa do grupo angolano Executive, desde os seus primeiros momentos de vida. Graças a visão e ao trabalho incansável da sua Directora, a Ana Filipa Amaro, sempre atenta ao desenvolvimento turístico do país e à sua divulgação, a Rotas é um título de leitura obrigatória para quem queira conhecer os segredos, as paisagens, os sabores e muito mais que este país tem “escondido”.

Marilene da Boa Morte, Chef
Marilene de Boa Morte, nascida em 1983 em S. Tomé e Príncipe, anda desde tenra idade nestas lides, tendo frequentado a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e estagiado no Hotel Altis Belém, distinguido com uma estrela Michelin. Passou depois para o Darwin’s Café na Fundação Champalimaud onde permaneceu por três anos antes de decidir rumar a Angola para trabalhar como chefe executiva do Palmeiras Lounge em 2013. Está cá desde então e este é o primeiro ano que faz parte do júri LNL.

Solange Neto
Formada em hotelaria e turismo cá em Angola e apaixonada pela gastronomia e pelos vinhos, a Solange é apresentadora de um programa radiofónico na estação MFM que promove o turismo interno e a educação turística. Tendo acompanhado alguns almoços da equipa do LNL durante o Angola Restaurant Week, este é o seu primeiro ano como membro do júri.

Os Finalistas

Das 6 listas submetidas pelo júri, surgiram três restaurantes mais votados: o Café del Mar, a Taverna do Morro, e o Kimera. O júri foi aos três restaurantes para fazer uma avaliação final, tendo em conta a experiência global, desde aos pratos servidos ao atendimento e a sensação de bem-estar. Desta avaliação, saiu um vencedor.

Melhor Restaurante do Ano 2016: Kimera

As opiniões do júri
O Kimera, no último andar do hotel Epic Sana, tem tudo aquilo que esperamos ver (e provar) quando decidimos sair para comer fora.Ana Filipa Amaro

Mais um ano e mais uma escolha difícil. É sempre assim quando me junto ao prestigiado júri do LNL, a quem muito agradeço o convite para participar mais uma vez na escolha do “Melhor Restaurante do Ano”.

Desta vez as surpresas começaram logo com os três finalistas – pois ficaram de fora alguns dos mais prestigiados restaurantes de Luanda, que quase sempre constam da lista final. Mas a verdade é que, a determinada altura, só o nome não chega e as experiências, a todos os níveis, que os lugares nos proporcionam, são o que realmente contam. Até porque isto “do melhor” tem muito que se lhe diga e, para mim, o serviço e o ambiente dos restaurantes têm de acompanhar o que nos é servido no prato.
Nesta lógica do serviço e do ambiente, comecemos pelo vencedor, claro.

O Kimera, no último andar do hotel Epic Sana, tem tudo aquilo que esperamos ver (e provar) quando decidimos sair para comer fora. Um ambiente sofisticado q.b., com espaços bem delimitados para quem procura mais privacidade, uma equipa eficiente e um toque de tradicionalismo que, pessoalmente, me agrada bastante – a sobremesa que provámos, Crepes Suzette, foi cozinhada à nossa frente, num tradicional carrinho de ir à mesa transformado em fogão portátil, e que me absorveu a atenção enquanto o lume ia cozinhando a massa. O ambiente à meia-luz confere-lhe conforto e a paisagem sobre a cidade é a cereja no topo do bolo para quem comer fora não é apenas comer bem.

Se a tudo isto juntarmos um sushi delicioso e um aconselhamento de vinhos primoroso, está justificada a sua eleição de Melhor de 2016. O que nos ficou de um próximo passo a ser dado pelo Kimera é o melhor aproveitamento da esplanada que, por agora, só se faz valer da paisagem. Aguardamos ansiosos pelas novidades, que sabemos que estão a ser preparadas.

O Café Del Mar foi quase um “óbvio” neste top 3. Afinal, um lugar bonito junto ao mar e com uma cozinha de assinatura que tem dado provas de criatividade, quase sempre tem os ingredientes certos para o sucesso. Mas o que é uma vantagem para quem chega ao Del Mar – este tal espaço, grande, com zona de fumadores e não-fumadores, com lugares confortáveis para quem espera por mesa, enquanto se ouve o bater das ondas – pode ser uma desvantagem para quem lá trabalha. O espaço amplo do restaurante parece provocar alguma agitação ao staff, que se faz ver e que, por vezes, nos faz sentir a sua falta… A coordenação em sala de equipas numerosas é um dos maiores desafios dos restaurantes, que no Del Mar tem ainda margem para ser melhorada.

Por fim, a última experiência foi na Taverna do Morro. Um lugar de agito no Morro Bento, que trouxe outra dinâmica à restauração luandense. Petiscos e pratos tradicionais portugueses conquistam clientes a cada dia. O restaurante está quase sempre cheio e esse frenesim de clientela acaba por influenciar o ambiente ruidoso que se tem durante a refeição. A decoração é irrepreensível: diferente, com detalhes de quem pensou o espaço com carinho e sabia muito bem que negócio queria ter ali. Sabemos que este é um dos restaurantes favoritos de muitos luandenses e de quem aqui vive, por isso também sabemos que, certamente, este é um espaço que ainda vai dar muito que falar.

Mesmo a terminar, uma referência a quem ganha sempre com esta e outras iniciativas do LNL: primeiro, os leitores, que acompanham de perto as actualizações do LNL e que seguem as suas dicas e sugestões; e segundo, todos os restaurantes em Luanda e os respectivos chefs e gerentes, que todos os dias trabalham para serem melhores e servirem melhor. Dificilmente encontraremos vencedores mais justos do que estes!

– Ana Filipa Amaro, Directora Editorial Rotas & Sabores


Apesar de me considerar um gastrónomo e me interessar por tudo o que à gastronomia diz respeito é ao meu conhecimento sobre vinhos que devo este convite e irei então concentrar a minha abordagem nesse tema deixando o resto para os meus distintos colegas.

Sabendo do conhecimento e prazer que os mais altos responsáveis do Café del Mar têm pelo vinho era por isso grande a expectativa em relação a esse particular. Grande foi também a deceção. Carta de vinhos relativamente curta e sem indicação dos anos de colheita. Sei perfeitamente da dificuldade em manter a carta atualizada, mas esse é um problema que afeta todos. Uns resolvem-no, outros escondem-no…

Os brancos da região dos vinhos verdes, coitados, foram ostracizados e colocados à parte dos vinhos brancos. Ainda perguntei ao moço que nos estava a atender o porquê da segregação e ele disse-me os verdes eram mais escuros… Como é? Brincadeira, só pode! Será que acham normal tal nível de desconhecimento num restaurante que almeja tão grandes voos?

Para acabar no mesmo registo o vinho tinto foi servido à temperatura ambiente e como nessa noite deveriam estar uns simpáticos 25ºC lá tivemos de beber uma parte do vinho à francesa: vin chaud

Passemos para a Taverna do Morro onde a carta, não muito extensa e demasiado concentrada em vinho português, apresentava como se impõe o ano de colheita e também algo que só vai ajudar a manter um mito demasiado enraizado neste país, o de pensarem que o nível de álcool de um vinho define a sua qualidade. Percebo as razões da presença dessa informação. Pena não ajudar à formação enófila dos seus clientes.

O serviço foi bom e com copos adequados a cada um dos vinhos servidos. Boa decantação de um vinho branco que por vezes deixam enrascados quem não está habituado a fazê-lo. Foram além disso muito diligentes e solícitos cometendo no entanto alguns lapsos que deixo para os meus colegas comentarem.

Last but not least, o vencedor neste parâmetro e não só, o Kimera, que não deixa ainda assim de ter um reparo. O tamanho da letra utilizada na carta de vinhos é deveras preocupante para quem, como eu, começa a sentir o peso da idade nos olhos e apesar de ser, claramente, a carta com mais variedade de vinhos e com mais informação esta podia ainda assim ser mais completa.

Sei que esta é uma crítica que sempre se pode fazer e se a estou a fazer é por saber que este restaurante tem a gerir o restaurante alguém que sabe muito, mas mesmo muito sobre vinho.Hildérico Coutinho

Não sendo atualmente esse o seu trabalho, o Vítor Cruz resolveu voltar aos seus tempos de sommelier e levou-nos a dar uma voltinha pela Alemanha onde podemos beber um belo Grosses Gewachs da minha adorada Riesling, pela Nova Zelândia para beber um inevitável Sauvignon Blanc da Villa Maria. Que saudades deste produtor…passando por um bom tinto do Tejo e acabando gloriosamente em Sauternes para beber um dos seus maravilhosos colheitas tardias na companhia de uma rica sobremesa. Salut amigo pelo teu belo trabalho!

– Hildérico Coutinho, escanção/sommelier, Clube Nómada

 


O Kimera não foi o vencedor só porque tudo foi bom, porque também teve as suas pequenas falhas.Marilene da Boa Morte

Em primeiro lugar quero assumir que coloquei muitas expectativas em relação ao Café del Mar, e de uma maneira ou de outra fiquei um pouco desiludida, sendo uma casa que conheço. O ambiente é agradável, e sentimo-nos muito bem neste local. Contudo, alguns erros do staff – a entrega errada de uma das entradas, a falta de capacidade na escolha de vinho, bem como a pressa em servir-nos a garrafa de vinho para pedirmos outra – acabaram por danificar um pouco a minha experiência.

As entradas estavam boas mas faltou apresentação nos empratamentos. Entre os pratos principais, a nova criação do chef, sabor de campo, estava muito bem concebida, e a espetada também, mas o bacalhau não teve a harmonização no prato, sendo que a gimboa abafou todo o sabor do bacalhau. Deve-se rever esta situação. Nas sobremesas, o meu crème brûllé infelizmente passou de ponto; não estava cremoso, o que foi uma pequena falha. Contudo, as outras sobremesas estavam deliciosas.

Em termos geral, o jantar no Café del Mar foi uma experiência agradável. Aconselho aos responsáveis em dar uma formação adicional aos garçons para melhorar os serviços, saber vender e não impor a venda.

Em termos de relação de qualidade e preço, na minha humilde opinião penso que pode ser ajustado.

A minha experiência na Taverna do Morro foi diferente. Sendo um espaço onde fui pela primeira vez, gostei do ambiente muito agradável e acolhedor. Em termos do serviço não foi do melhor, mas os garçons fizeram o melhor que puderam.

Tal como no Café del Mar, seguimos o mesmo modelo: pedimos várias entradas para podermos degustar e comparar os sabores. Assim que começaram a chegar as entradas, um dos júris fez a pergunta ao garçon sobre o que estava a colocar na mesa, e o garçon pôs-se aos gritos para perguntar ao colega que estava no outro lado do balcão o que era a entrada que ele estava a servir. Achei isso desnecessário. Dos pratos principais o que mais gostei foi a moqueca de peixe e lagosta.

O Kimera não foi o vencedor só porque tudo foi bom, porque também teve as suas pequenas falhas. Mas encontrei lá um serviço agradável, um atendimento com qualidade, o chefe de sala soube nos surpreender em várias sentidos, desde o vinho até a sugestão de um novo sushi que ainda não foi apresentado ao público, e fiquei lisonjeada com aquela sugestão que foi uma explosão de sabores. Com a escolha do vinho, foi um casamento perfeito.

Os pratos principais estavam saborosos, mas a apresentação dos pratos não foi muito apelativa, e alem disso o custo e a quantidade de comida não compensa. Mesmo com um serviço gourmet devemos sempre primar pela capitação de carne e de peixe nos pratos. Para a sobremesa – o crepe Suzette que foi feito mesmo na sala – foi sugerido um vinho colheita tardia, uma excelente sugestão.

Num modo geral o jantar no Kimera proporcionou-me momentos agradáveis e mereceu ganhar porque mostrou ser capaz de fazer um serviço de qualidade, onde as ligações da cozinha e os vinhos foi transformado num verdadeiro casamento com inesperadas ligações culinárias.

– Marilene da Boa Morte, chefe de Cozinha


O Kimera tem uma cozinha com notas seguras de ousadia, mantendo um equilíbrio de sabores e aromas interessantes.Helt Araújo

O Kimera proporcionou me a melhor experiência em 2016, devido ao facto de ter os 3 factores bem alinhavados e com um bom equilíbrio: serviço sala, vinhos e cozinha.

E é para mim o foco para uma boa experiência o equilíbrio entre todos os intervenientes que fazem parte deste universo do bem servir, que é o de proporcionar a “dita” boa experiência gastronómica.

Serviço atencioso, com um cuidado especial para com o cliente, bom conhecimento sobre os vinhos e que faz abrir o apetite para uma viagem degustativa e uma cozinha com notas seguras de ousadia, mantendo um equilíbrio de sabores e aromas interessantes, com uma pequena nota negativa em que peca pelas quantidades que serve em termos per capita para uma dose a carta, o que acabou por deixar me com pequenas notas boas na boca sem serem preenchidas na totalidade.

Mas uma boa surpresa para a consistência dos serviços com uma nota especial para o serviço de Sushi e a sobremesa ao vivo. O que acrescentou mais qualidade ao momento da experiência realizada no Kimera.

Continuação de um bom apetite.

– Helt Araújo, chefe de cozinha


A experiência tida no Kimera é realmente ímpar.Cláudio Silva

Devo admitir que a possiblidade de atribuir o prémio de Melhor Restaurante do Ano 2016 a um dos restaurantes mais caros de Luanda, localizado no último andar do hotel mais caro da cidade, em ano de forte crise econômica, foi uma proposição difícil. Contudo, não foi possível ter outro vencedor com base nos critérios por nós escolhidos. E como disse o Helt enquanto debatíamos, a qualidade deste nível tem preço e este lugar não é para visitar com frequência. Aliás, como a maioria dos melhores restaurantes espalhados pelo mundo, em presenças constantes em listas como o World’s 50 Best.

Mas para quem gosta de ser bem servido e para quem aprecia a arte de bem comer, a experiência tida no Kimera é realmente ímpar. Sim, a vista é espectacular apesar da esplanada do restaurantes ser totalmente desaproveitada, mas o que realmente brilha aqui é a gastronomia japonesa executada com mestria pelo sushi chef Célio Gonçalves, e o menu sazonal elaborado pelo chef Sismundo Conceição, que utiliza ingredientes locais sempre que possível. Os dois são angolanos.

O Café del Mar tem um dos melhores ambientes cá em Luanda, e no chef Octávio Neto têm um dos melhores chefs nacionais a trabalhar actualmente em Luanda. Apesar de algumas falhas, é evidente a ousadia e a criatividade na sua proposta gastronómica para o Del Mar. Tendo dito isso, para o Del Mar chegar ao próximo patamar precisa de dar melhor formação aos seus garçons; uma casa como aquela necessita de um serviço de mesa impecável.

Nova no panorama gastronómico luandense e um dos meus restaurantes preferidos cá na cidade, a Taverna do Morro entrou de rompante e logo no seu primeiro ano de actividade venceu vários prémios do Angola Restaurant Week 2016; o facto que foi finalista para o Prémio de Melhor Restaurante do Ano espelha bem a aceitação deste restaurante entre o nosso júri e o potencial que tem. Com algumas melhorias no atendimento, principalmente no que toca a consistência do mesmo seja quem for o cliente, este lugar vai longe.

– Cláudio Silva, sócio-gerente LNL


Pontuação final:

  1. Kimera: 4,3
  2. Café del Mar: 3,2
  3. Taverna do Morro: 3,1

*Foto de Capa: Carne do Kook

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