Celeiro 365: Mais um belo espaço a nascer no Zango 0

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Artigo de opinião escrito por Hildérico Coutinho, escanção e membro do Júri LNL

Não poderia deixar de aceitar um convite do Jorge Ferreira que conheci como um dinâmico chefe de sala no Kook para conhecer um novo espaço onde ele tem a responsabilidade de ser o condutor, pois isso me dá logo uma garantia de se tratar de algo que vale a pena visitar.

Estava certo, pois o Jorge também sabe que para se ter sucesso em projetos desta natureza é absolutamente necessário rodearmo-nos dos melhores profissionais. Foi o que fez ao chamar para o comando das panelas o Chef Fidel Dias, um jovem angolano já com um curriculum invejável e formação na fervilhante Cidade do Cabo.

Depois de alguns estágios na África do Sul foi conhecer os ares da China com um embaixador angolano. De volta à terra passou já por vários hotéis e espaços de referência como o HCTA, Hotel Baía, Brasa, Julia’s e Alive.

Creio que o que disse já vos despertou o interesse, vou continuar a fazê-lo contando-vos o menu degustação que ele me preparou, não esquecendo nunca que o restaurante ainda está a dar os primeiros passos e nem todas as dinâmicas estão bem definidas como é o caso de alguns fornecedores. Isso notou-se logo no couvert, com a qualidade do pão a merecer reparos.

Para mim, um bom pão aguenta quase todas as manteigas, mas uma manteiga de excelência perde-se num mau pão… felizmente sei que eles estão bem cientes disso!

Passemos à entrada: Enroladinho de bacon e curgete sob um bife pobre onde percebi a ironia: o bife pobre era a torrada de pão. Um conjunto agradável mas a precisar de uns extras que despertem os nossos sentidos…

O primeiro belo momento do dia surgiu com o prato de peixe: lascas de bacalhau sob batatas cassuele e couli de azeitona preta. A ligeira doçura que se encontrava no peixe que vinha avermelhado combinava lindamente com o esmagado de batatas e a pasta de azeitona que é sempre um pouco amarga. Para o meu gosto pessoal só lhe faltou um toquezinho de picante a estimular todos estes deliciosos sabores.

Acompanhamos estes primeiros pratos com um vinho branco do Douro que com a sua componente frutada e floral se encaixou muito bem. Tratou-se do muito conhecido e consistente Planalto Reserva de 2016 se me não falha a memória.

A passagem para a carne não fez baixar a bitola e continuamos em grande estilo para umas Costeletas de borrego com molho de mostarda e mel sob um puré de batata e legumes salteados. A carne estava no ponto, apresentando o obrigatório rosado no seu interior, o molho estava belíssimo com a doçura do mel bem controlada, o puré estava delicioso tanto em termos de textura como de sabor e os legumes com a cozedura suficiente para se manterem crocantes.

Para acompanhar este belo prato esteve um vinho de uma das regiões que mais vinhos terá para esta carne, estou a referir-me ao Dão, onde os tintos são mais elegantes e ácidos que os clássicos durienses ou alentejanos. Tratou-se do sempre agradável Pedra Cancela seleção do enólogo 2014.

Acabámos a refeição sem um vinho doce a acompanhar a sobremesa, uma falha que será em breve corrigida e que teria dado muito jeito a “molhar” o Bolo de ginguba, bolo de chocolate e gelado de baunilha. Que bem aqui teria funcionado um bom Ruby do Porto e para não pedir um Vintage limitava-me a pedir um LBV…

Em resumo, um espaço a visitar com urgência por todos quanto gostam de gastronomia para não se perder este projeto bonito que está a nascer!

Hildérico Coutinho
Escanção/Sommelier

 

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