Um Jantar no Taymar | Rechioldi Prazenteiro

In ***, Jantares vínicos, Morro Bento, Portuguese, Puxado / Upmarket $$$, Restaurants, Samba by Luanda NightlifeLeave a Comment

A crítica recorrente que nos faziam era a de dar pouca atenção aos vinhos e seu serviço. Daí a pedirmos a um especialista na matéria para nos ajudar a nós e se possível aos espaços por ele analisados foi um pequeno passo. Ele vai ter um sentido mais acurado no que ao serviço diz respeito e, em particular, ao de vinhos e outras bebidas, tendo no entanto uma postura muito benevolente, que poderá originar algumas injustiças, mas que cremos ser a mais apropriada para a maioria dos espaços angolanos, garantindo ainda alguma convergência com a nossa filosofia. O objetivo passa por ir apontando falhas que gostaríamos de ver resolvidas pelos gerentes desses locais para bem de todos.


Visitei recentemente este escondido espaço, que apesar de publicidade exterior dá a sensação de ser outra coisa. Para mim que gosto de locais calmos é uma bênção ainda estar tão pouco conhecido (e cá estou eu a ajudar a estragar a coisa…), fica ao pé da Garrafeira Vinimour e do porventura mais conhecido Pepper’s na estrada da samba, antes do Paz-Flor, sentido Talatona-Luanda.

A esplanada é convidativa e foi por aí que nos quedámos; 0s preços praticados, de carne quase sempre acima dos 3000 Kz e de peixe acima dos 4000 Kz, indiciam ser um restaurante a querer posicionar-se num patamar superior. Para isso, não basta um simpático atendimento que existiu, precisa de limar mais algumas arestas: começamos pela mesa, que não estava montada e foi montada de uma forma demasiado informal para quem quer estar lá em cima, isto sem falar do couvert, que não existiu.

A carta de vinhos foi uma agradável surpresa por não estar só com os habituais lugares comuns de quase todo o lado, como é o caso de um belo e jovem produtor no universo da região, a Quinta Nova de Nossa Sra. Do Carmo, que infelizmente não estava disponível a copo. Essa foi a primeira questão colocada e tendo sido respondido afirmativamente, perguntamos quais. Apenas tintos e os suspeitos do costume, Monte Velho e Esteva. Questionado acerca das meias-garrafas, respondeu: Monte Velho e Esteva. Caramba! Os mesmos?! Para que serve ter vinho a copo se são os mesmos das meias-garrafas? Porque não se utiliza o vinho a copo para dar a conhecer vinhos que os clientes não conhecem? Até se dá a provar antes para ver se gostam…

A experiência de ir a um restaurante com pretensões não se deve confinar a experimentar pratos que não se consegue ou apetece fazer em casa, deve passar também pela experiência de beber coisas diferentes (e não falo só de vinho), que os profissionais do setor podem e devem sugerir.

O vinho escolhido acabou por recair no Esteva, que felizmente não vinha à famigerada temperatura ambiente, de que pouca gente parece perceber o significado, mas também não estava na temperatura certa, faltava pouco e por isso pedi um frapé com água e gelo, que infelizmente tinha pouca água e por isso gelava a parte de baixo da garrafa deixando o vinho na parte superior praticamente igual. Não foi um problema, é apenas um pormenor. O copo que apresentaram é perfeitamente adequado ao vinho e era muito elegante, assim como o vinho que apresentava uma boa fruta e a estrutura, que precisaria ser um pouco mais alta para o bife do lombo mal passado com molho de alho e ervas.

O bife estava bom, assim como os legumes e as batatas, bem cozidas e apaladadas, mas precisava o prato de vir tão cheio que quase e apenas parecia um monte?

O outro prato pedido, picanha, vinha da mesma maneira, um prato gigante com imensas fatias, demasiado finas e demasiado cozinhadas com tudo a que o brasileiro tem direito, arroz, feijão-preto, batata frita e salada. Demasiado, não acham?

Corrijam estas coisas que o local é delicioso e muito agradável de visitar. Apenas uma última pergunta: porquê estarmos com som ambiente vindo da televisão em vez de uma aparelhagem sonora com música calma e relaxante? O espaço merecia e nós também!

– Rechioldi Prazenteiro

Taymar

I visited this hidden spot recently, which due to its exterior signage actually seems like anything but a restaurant. Since I like quiet, calm places, the fact that this restaurant is still relatively unknown is a blessing (well, here’s to ruining that aspect…). It’s close to the Vinimour Wine Shop and the more popular Pepper’s, on the Estrada da Samba before the Paz-Flor Condo if you’re going towards downtown Luanda.

Taymar has an inviting esplanade, and that’s where we decided to stay. A quick look at the menu was enough to notice that the steaks were above 3,000 AKZ and fish dishes were over 4,000 AKZ, which meant that the restaurant wants to position itself as an upmarket destination. For the restaurant to be perceived this way, the pleasant service we experienced isn’t enough – there are some areas that need to be tweaked. Starting with the tables, which were too informal for a restaurant at this level, and the non-existent couvert.

The wine list was a pleasant surprise, as it wasn’t overly populated with the cliché choices we see all around Luanda. Seeing a very-well referenced, young Quinta Nova de Nossa Sra. Do Carmo as one of the options was a great omen, but unfortunately it wasn’t available by the glass. To be honest, the first thing we asked about were wines by the glass, and sadly only the Monte Velhos and Estevas (clichés) were available. When we asked about half-bottles, we got the same response: Monte Velho and Esteva. The same ones! What’s the point of having wines by the glass that are the exact same as the half-bottles? Why not choose lesser known wines to serve by the glass so as to introduce diners to great but unknown wines? Most sommeliers even let you have a taste before you commit…

The experience of going to a restaurant that wants to position itself as upmarket shouldn’t be confined to eating food that you can’t or won’t make at home – it should also be about drinking different things (not just wine) that the professionals in the sector can and should suggest.

We ended up choosing the Esteva, which thankfully didn’t come at room temperature (room temperature seems to have a different meaning at each place we visit), but could have used a bit more cooling. The requested frappe filled with ice water came with too little water and only cooled the bottom of the bottle, leaving the top at the same temperature. But no big deal – this is just a detail. Their elegant wine glasses were perfectly adequate for the type of wine served, while the wine itself  was well structured and fruity at the right amount. It went well with the medium-rare steak with garlic sauce and herbs that we ordered. 

The beef was of good quality, while the legumes and potatoes were very nicely cooked and very flavorful. Our only gripe was with the presentation, as the food was served in what resembled a heap.

Another dish the table ordered was the picanha, and again the portions were huge: too many picanha slices served too thin and overcooked, along with everything this iconic Brazilian dish is known to come with, including rice, black beans, fries and a salad. A bit much for one plate, but tasty nonetheless.

Improve on these aspects and Taymar will be a place we will frequent, because the food is of great quality and the space itself is very pleasant. I’ll leave you with just one last question: why have background music coming from the television instead of a proper sound system with quality tracks? Taymar deserves it and so do we!

Taymar Beef

– Rechioldi Prazenteiro, “Especialista em vida ociosa”

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