O jantar 5 Chefs – 5 Pratos – 5 Vinhos no Coconuts

In Angolan, Ilha de Luanda, Jantares vínicos, LNL Events, Puxado / Upmarket $$$, Restaurants by Luanda NightlifeLeave a Comment

Sob a égide do Club DiWine Signature conseguiu-se finalmente dar corpo a uma ideia que vinha alimentando faz meses, mas que por fatores diversos sempre vinha sendo adiada. Esta ideia foi despoletada durante um jantar, em que não participei mas em que estive presente nas preparações, organizado no Kook, aquando da comemoração do seu primeiro ano de vida, onde conseguiram o feito de juntar não cinco mas sete Chefs e onde cada um teve a responsabilidade de apresentar um prato. Em conversas posteriores com o Chef do Kook, o Pedro Rezende Pereira, fomos arquitetando a coisa até que o Pedro me passa literalmente a pasta argumentando com a pouca disponibilidade que o restaurante lhe deixa. Algumas alterações teriam obrigatoriamente de ser feitas, a começar pelo número de Chefs, pois se já juntar cinco foi uma dor de cabeça, sete teriam por certo me levado ao manicómio… A outra alteração é óbvia para quem me conhece, a adição de um vinho por cada prato, assumindo eu, com todo a responsabilidade mas também prazer, o ónus das escolhas.

Cartaz

No dia 23 deste mês de Março, no Coconuts Restaurante, na Ilha do Cabo, pelas 20h30, arrancámos com alguns percalços (microfones sem fios sempre nos deixam à toa…) para uma longa e agradável noite de prazer. De realçar e aplaudir a presença massiva dos epicuristas à hora marcada. Não pode ser de outra maneira nestes jantares e ainda bem que assim o perceberam.

IMG_2201

A primeira nota vai para o vinho espumante servido para acompanhar o Couvert, uma Cava Gran Reserva, com mais de 30 meses de estágio em garrafa, elaborado com apenas duas das três castas mais utilizadas na região, que é por sinal a região que mais produz espumantes no mundo, Macabeo e Parellada. A reação à imponente garrafa do Segura Viúdas Reserva Heredad e à qualidade do líquido no seu interior, muito suave, elegante e distinto foi quase entusiástica.

O couvert

O couvert

O primeiro prato a ser servido, Surpresa de Kissângua, foi mesmo surpreendido por uma ultrapassagem à direita de um bem apresentado e saboroso Macaron de Ginguba com Paracuca que o Chef Ricardo Braga resolveu, à última hora, acrescentar. A surpresa propriamente dita, a de quiçângua, era menos líquida que o esperado e era mais uma gelatina de agradável textura e sabor delicado.

Surpresa da Kissângua

Surpresa da Kissângua

 

Macaron de Ginguba

Macaron de Ginguba

O segundo prato, Camarão braseado em cama de jimboa e broa de milho, da autoria da Chef Marilene de Boa Morte, que com pratos destes uma bela passagem para o outro lado por certo nos dará… Desde o momento da conceção até ao da apresentação, algo se foi alterando e a jimboa passou a ser salteado com cogumelos do bosque assim como a broa foi recriada usando uma polenta com tomate seco. E que bem ficou, sendo mesmo, na minha opinião, um dos momentos da noite, acompanhado brilhantemente por um dos melhores rosés portugueses, o D. Maria 2013, num estilo seco, muito gastronómico pois, tendo beneficiado muito da companhia.

Camarão braseado com salteado de jimboa com cogumelos do bosque polenta com tomate seco

Camarão braseado com salteado de jimboa com cogumelos do bosque polenta com tomate seco

O terceiro, Ravioli de calulu em espuma de jimboa, foi o outro grande momento da noite. Idealizado pelo mais mediático Chef nacional, Helt Araújo, unindo um dos mais conhecidos pratos italianos a uma estrela nacional. O resultado foi brilhante com a espuma de jimboa numa magistral luta com a espuma de óleo de palma envolvendo umas tenras almofadas de massa fresca e calulu. Para o acompanhar, um vinho que não seria a minha primeira escolha, pois inclinar-me-ia sempre para um branco encorpado com estágio em barricas de carvalho, mas que o Chef Helt Araújo subscreveu, um tinto jovem, pouco tanino e boa fruta vermelha, que deveria ter sido servido a 14ºC, para mostrar que há tintos que podem ser um pouco mais refrescados. Tratou-se do Cabriz Colheita Selecionada 2014 e deu-se muito bem nesta maridagem… Pela minha parte, estou sempre disposto a experimentar, mas confesso que estava com expectativas em bater um pouco no Helt. Fica para a próxima…

Ravioli de Calulu

Ravioli de Calulu

Num quarto momento, do Chef Miguel Flamínio, um Carré de borrego em esparregado de jimboa e batata-doce, que só pecou por um excesso de cozedura do borrego, já que o timbale de batata-doce e o esparregado de jimboa estavam de ir às lágrimas. Para acompanhar, não um como estava previsto, mas dois tintos, sendo o segundo uma amabilidade do produtor. A minha escolha foi o Preto e Branco Reserva 2009, um bairradino elaborado com a tradicional Baga, mas também com a Touriga Nacional e a branca Bical justificando assim o nome, mostrou-se mais difícil no início que o duriense Grandes Quintas Reserva 2012, mas na companhia da comida mostrou o quão importante é fazer boas harmonizações. Foi realmente um exemplo feliz, onde se mostrou que sem aquela comida o vinho do Douro era melhor, mas que depois com uma comida a pedir um vinho com sabor a terra molhada e a cogumelos, o Bairrada se mostrou mais agradável. Não é uma conclusão unânime, como não será nenhuma das outras apresentadas, mas foi bastante consensual.

Carré de borrego em esparregado de jimboa e batata-doce

Carré de borrego em esparregado de jimboa e batata-doce

Para o fim ficou uma sobremesa muito bem apresentada pelos Chefs da casa Octávio Neto e Marcus Telmo Ribeiro, parecendo realmente a Serra da Leba, que lhe dava o nome, mas que pecou por uma bolacha de fuba impossível de partir diminuindo logo à partida o efeito desejado. A ideia era que o gelado de gajaja fosse derretendo e ensopando a bolacha, mas esta mostrou-se mais resistente que o pretendido. Uma durona!! Um merengue e um coulis de manjericão completavam a sobremesa. Para acompanhar escolhi um vinho que me dava alguma garantia de harmonização com um leque bastante variado de sobremesas e como não conhecia esta, joguei pelo seguro, para morrer de velho… Um licoroso da região do Dão, que não se podendo chamar assim, não deixa de ser um Tawny do Dão. Um vinho do Porto com uma acidez mais vincada, notas que por certo advirão de uma região mais fria, granítica e com algumas castas diferentes como a Jaen e o Alfrocheiro. Com 20 anos de estágio, está muito bem conseguido e dá-se bem com um amplo leque de doces. Para ter sempre uma na garrafeira!

Serra da Leba

Serra da Leba

Um aplauso final para todos os envolvidos, do Coconuts aos Chefs, da comunicação social aos comensais. Até ao próximo desafio aos Chefs, em Maio!

IMG_2220

Hildérico Coutinho

Escanção/Sommelier

Club DiWine Signature

 

 

Comments

comments