Kitanda da Esquina: O Menu de Degustação Harmonizado com Vinhos

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Nas nossas deambulações gastronómicas calhou-nos em sorte visitar um dos melhores altares do centro de Luanda, o Kitanda da Esquina, onde o Chef Fábio Ramos, conseguiu finalmente perceber os intuitos destas nossas peregrinações. Ao fim de algum tempo também nós percebemos os erros que estávamos a cometer…

O desafio colocado ao Fábio, foi o de elaborar pratos para vinhos que tinham as seguintes características: um branco com acidez elevada e sabores a maracujá e espargos verdes, dois brancos minerais e boa acidez, um tinto poderoso do Douro e outro, também do Douro mas que poderia não estar tão poderoso dada a idade, um vinho branco doce.

A escolha do Chef foi a seguinte:

Atum corado creme maracujá vinagrete banana e farofa de amendoim

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Fritos de alheira couve-portuguesa salteada e creme de maça

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Bacalhau molho de pimentos farofa de enchidos e especiarias

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Lombinho de porco a baixa temperatura molho de farinheira e batata-doce

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Pudim abade priscos com sopa fria de maracujá e salada de azeitonas negras

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Percebemos a intenção do chefe ao colocar o creme de maracujá, dada a descrição que fizemos do primeiro vinho a ser servido, Cloudy Bay Sauvignon Blanc 2011, um dos mais famosos, senão o mais famoso, Sauvignon Blanc do mundo, vindo da Nova Zelândia, o país responsável por dar a conhecer esta deslumbrante casta ao mundo, que realmente apresentava o maracujá que se espera de um vinho deste país, mas também uma acentuada presença da componente vegetal da casta. No entanto o problema não estava no vinho nem no creme, mas no excesso do vinagrete que transformou, nas palavras de alguns dos comensais, este prato numa espécie de mufete gourmet…

Apesar de agradável, acabou por ser o menos interessante prato da casa, que nem com o primeiro Riesling (parece que esta casta se está a transformar no ai Jesus dos nossos convidados) conseguiu aguentar. Tratou-se do primeiro vinho desta casta produzido na Herdade do Arrepiado, que tem como enólogo um dos mais experimentalistas do país, António Maçanita. Uma zona tão quente quanto a alentejana é tudo menos apropriada para experimentalismos com esta casta, mas a verdade é que o vinho apresenta algumas das principais características da casta, como são as notas de petróleo, mas com uma acidez bem mais baixa, que por isso mesmo o torna um Riesling fora do baralho que tem agradado a muitos enófilos por esse mundo fora.

Deu-se melhor com o segundo prato, por sinal um dos mais bem conseguidos da noite, porventura por ter conseguido que com uma garfada apenas se conseguisse sentir os três ingredientes principais do prato, a alheira, a couve e o creme, que tão bem amaciaram e controlaram a intensidade da alheira. O Riesling seguinte, um Wittmann Morstein 2012, que mais uma vez, não falhou, cheio de fruta e untuoso, mas sem a intensidade que já experimentámos noutros vinhos deste produtor, e este é o que costuma ser melhor pontuado pelos críticos… A ligação deste vinho com este e o prato seguinte esteve num bom nível, sem no entanto ser estonteante. O bacalhau foi outro dos pratos muito bem conseguidos com uma cocção perfeita e sabor irrepreensível. O mesmo não pudemos dizer do prato de carne onde a farinheira se tornou demasiado presente, não na primeira garfada, nem na segunda, mas na quarta ou quinta…

Para acabar de acompanhar o prato de bacalhau e dar as boas vindas ao prato de carne foi servido aquele que porventura foi considerado o vinho da noite, nenhum dos que tinham sido indicados ao chefe, mas não o prejudicou, antes pelo contrário! Um vinho de 2009 da Bairrada, Luís Pato Quinta do Ribeirinho Pé Franco, que normalmente seria demasiado jovem, mas este, apesar de jovem, está já num momento absolutamente estonteante, parecendo um belíssimo Barolo ou Barbaresco, cheio de elegância e suavidade, perfeitamente adequado aos dois pratos, mesmo se o segundo apresentava, como referido, demasiadas notas gordurosas. O segundo, vinho tinto servido, o Quinta da Leda 2011, um poderoso vinho do Douro, de um ano prodigioso do Douro, mas que acabou por ser demasiado para o prato e por se render à grandiosidade do vinho bairradino. Impressionante!

Para acompanhar a sobremesa, um muito agradável Porto Branco 20 Anos da Qta de Sta Eufêmia, mas que perdeu no confronto com a sobremesa que estava deslumbrante tal o equilíbrio entre a doçura do abade e a acidez do creme de maracujá. Não percam!

Para além do Chef, que mereceu todos os nossos aplausos, um grande agradecimento público é merecido a todo o pessoal de sala que nos atendeu, sem falar, claro, dos nossos convidados para esta sessão, que animaram a noite de uma forma espetacular. Muito obrigado!!!

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