Restaurante República: o menu de degustação harmonizado com vinhos

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Voltámos a ir à missa, desta feita à igreja da Vila Alice com o singular nome de A República, onde a papista mor (ou seria papisa?), Lurdes Silva de seu nome, habituada de há muito a gerir multidões em sua casa resolveu criar este agradável espaço exatamente na sua antiga sala de estar, que pode agora ser aproveitado por todos nós e com evidente gozo da D. Lurdes.


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Um absolutamente delicioso queijo da serra serviu de couvert. Seria inusitado servir um Porto Vintage novo para o acompanhar, mas eu não teria problemas em o fazer, tivesse eu esse vinho à minha disposição. Com o sal a nada ajudar, a suspirar por um vinho continuámos, pois estava previsto ser o vinho do cavalheiro atrasado a abrir as hostilidades. Pior ficou quando se verificou que o vinho vinha quente e eu, duro de ouvido, não percebi que havia a possibilidade de se trocar por uma garrafa fresca, já que existe esse vinho à venda no restaurante. Tratava-se do famoso Alvarinho, Quinta da Brejoeira, da colheita de 2012, que teria ido muito bem com um belo camarão ao alho que coube a cada um de nós.

Infelizmente, optei por abrir o outro branco da noite, um Georg Breur, Berg Rottland, Riesling de 2001, que estava simplesmente brilhante, com aromas a manga, ananás e papaia, tudo junto e magistralmente tocado pelo habitual aroma a gás de isqueiro que esta casta usualmente apresenta. Passou por cima do camarão e teria ido muito bem com o bem agradável bacalhau com crosta de camarão e puré de batata e salada mista (que infelizmente trazia pepino, que marca inexoravelmente todos os outros componentes da salada e de nada vale separar o pepino. Este é, para mim, um erro de cozinha, que ninguém parece querer levar a sério porque afinal até gostam de pepino…). O vinho sofreu demasiado com a comparação, pois ninguém gosta de andar para trás, e teve igualmente dificuldade em aguentar toda a força que um prato de bacalhau normalmente tem.

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Pena também foi não ter havido empratamento na cozinha. Os olhos também comem e nada como um bonito prato preparado por um competente Chef. Os erros crassos do Chef Rodrigo Rosgeski, foram todos cometidos no prato de carne, um peito de pato com puré de batata e laranja. Outra vez puré? E de batata? Não pode! Num menu deste género não se devem repetir o tipo de acompanhamento e menos ainda quando cozinhado da mesma maneira. Para além disso, o pato, não muito saboroso, foi cozinhado em demasia, retirando-lhe a suavidade e suculência que uma carne mal passada deve nos dar. Os vinhos, por excessivos, tiveram também dificuldade em se harmonizarem com o prato.

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Começámos com um do Dão, o Primavera Special Selection 2009, um blend de Tinta Roriz, Alfrocheiro e Touriga Nacional, que apresentava os taninos finos e elegantes típicos da região, com aromas a fruta vermelha madura e algum vinagrinho, continuámos com um Douro, do Dirk Niepoort, o Robustus 2008 de vinhas com mais de 60 anos, com imensas castas a começar pela Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Sousão, Rufete e Tinta Pinheira. Apresentou-se poderoso, em demasia para o coitado do pato, com uma complexidade aromática muito interessante e agradável, misturando especiarias, tabaco, tostados e terra. Na boca está volumoso e com boa fruta madura, vermelha e preta e os taninos estão sedosos.

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Para o final ficou aquela que foi considerado unanimemente o melhor casamento: uma tarte de maçã al dente com um vinho de Mosel, o Ansgar Clüsserath Riesling Trittenheimer Apotheke Auslese 2012, um nome grande numa garrafa pequena – e tão pequena foi… – e onde Auslese, literalmente significando escolha, pertence a um sistema de classificação alemão para os vinhos de qualidade em função da doçura do mosto. A tarte, que foi muito apreciada, tinha para mim um pouco de canela a mais e o vinho tinha um pouco de doçura a menos. Ainda assim, uma boa ligação e uma bela forma de terminar este agradável serão com uma deliciosa anfitriã.

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