Zaire: Mistérios de um rio e histórias do mar

In Features, Praia, Soyo, Zaire by Luanda NightlifeLeave a Comment

Texto: Pedro Correia
Fotografia: Vasco Célio

Este artigo foi publicado na edição Fevereiro-Março 2015 da Revista Rotas & Sabores, parceiro de mídia do Luanda Nightlife. Leia a revista na sua íntegra aqui.

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A pequena embarcação desliza rápida sobre as águas do Zaire. O espectáculo deslumbrante que se abre à nossa frente mostra a vastidão do rio que se estende desde as terras que há mais de 500 anos viram desembarcar o navegador português Diogo Cão até ao Congo – que surge na outra margem com montanhas que se elevam no horizonte. O abrandar dos dois motores de 40 cavalos anuncia novas emoções por entre as centenas de canais do poderoso rio que se desdobra em abraços sombrios ao imenso mangal que serve de abrigo a espécies exóticas de aves e peixes.

O avião é o meio de transporte mais cómodo e rápido para chegar ao Soyo, mas se gosta de aventuras todo-o-terreno pode optar por seguir de carro (4X4) para Norte, pela estrada quer liga as províncias de Luanda e do Bengo. Pouco depois de passar o desvio de Kifangongo, deve cortar à esquerda, em direcção à popular praia da Barra do Dande que fica a cerca de 80 quilómetros da cidade de Luanda. Até à localidade do N’Zeto são mais 200 quilómetros em estrada asfaltada e bem tratada. A aventura todo-o-terreno pode ser vivida nos últimos 150 quilómetros até ao Soyo, que começa alguns quilómetros depois da localidade do N’Zeto: uma picada que se faz em cerca de cinco horas mas que no tempo de chuva (entre Novembro e Abril) fica muito difícil nalguns troços, obrigando os viajantes a desvios quer para outras picadas paralelas quer por entre as aldeias circundantes, com a possibilidade de ter de pedir permissão ao chefe da aldeia e de ter de pagar uma “taxa” simbólica que pode chegar aos mil kwanzas.

O Soyo (antiga localidade de Santo António do Zaire) está situado na margem esquerda do rio Zaire e é hoje uma cidade fronteiriça em expansão. O movimento migratório é grande nos dois sentidos e ao Soyo chegam muitos congoleses quer para fazer comércio quer para visitar parentes e amigos ou, então, para se fixar do lado de cá da fronteira e do rio. A rua principal da cidade é praticamente um único e extenso mercado onde se vende de tudo um pouco, num misto de hábitos e culturas raramente visto em qualquer outro ponto de Angola. Este quadro fica completo com a junção de gentes de várias partes do mundo, que trabalham na base do Kwanda, um dos mais importantes centros económicos de Angola, onde estão instaladas as principais empresas petrolíferas que operam no país.

Descobrir o turismo no Soyo

A excelência das praias, a beleza, a força e o mistério do rio Zaire e dos seus inúmeros canais, os lugares pitorescos por entre a floresta além de muita história, relíquias e ruínas, fazem do município do Soyo o sítio ideal para descobertas turísticas.

Saímos cedo em direcção à praia da Kifuma, situada a pouco mais de 30 quilómetros do Soyo. A estrada é a mesma que segue em direcção ao N’Zeto e a Luanda: uma picada, ali terraplanada e mais agradável de fazer. Ao quilómetro 34, seguimos pela estrada da direita por mais cinco minutos para desembocarmos numa ampla praia de areia dourada que convida a um banho refrescante sob o sol quente da manhã. As opções dividem-se e, quem gosta de surf pode cavalgar as ondas que se repetem e que, um pouco mais longe, guardam cardumes que os pescadores trazem para terra nas redes lançadas de madrugada. Junto ao mar, uma esplanada oferece os serviços de um restaurante que faz parte de um pequeno complexo turístico onde o viajante também encontra bungalows que pode alugar para passar a noite.

Mas se queremos conhecer outros lugares agradáveis ali perto, podemos rumar para a praia do Tombe, regressando à estrada principal e seguindo mais seis quilómetros na direcção do N’Zeto, virando à direita para encontrarmos outra praia de excelência onde está a ser construído um eco-resort. De regresso ao Soyo, e mesmo à entrada da localidade, num cruzamento que também conduz à Missão do M’pinda, viramos à esquerda para encontrarmos a Praia do Canhão ou a Praia do Zé Kitomba, onde, além dos banhos de mar, se pode desfrutar de um ambiente de verdadeira festa local num pequeno complexo que integra um bar e uma esplanada.

Antes de voltarmos ao Soyo e ao conforto do hotel, ainda há tempo para visitar a Igreja de Santo António do Zaire. No cruzamento com a estrada principal, seguimos em frente em direcção à Missão Católica do M’Pinda e, onde se ergue uma cruz cristã, viramos à esquerda onde nos espera um extenso caminho de areia rodeado de árvores que escondem o sol de final de tarde. A igreja de Santo António do Zaire ergue-se imponente por entre a vegetação desde 1932. Bem conservada, faz hoje parte de um conjunto de estruturas da igreja católica, na zona que também inclui uma escola com alunos internos.

A Missão do M’Pinda terá sido, na prática, a primeira missão católica instalada nos territórios que hoje constituem Angola. Foi ali que, a 3 de Abril de 1491, foi baptizado o Mani-Soyo (ou Senhor do Soyo – a autoridade tradicional da época) que tomou o nome de Manuel. E foi ali, na povoação do M’Pinda, nas margens de um dos canais do rio Zaire, que os portugueses instalaram mais tarde um porto para comércio e embarque de escravos, essencialmente para São Tomé e para o Brasil, existindo hoje apenas o lugar conhecido pela população local e só possível de visitar num passeio de barco pelo rio.

Outros lugares da História podem ser visitados no Soyo. Com uma viagem preparada e com um farnel e muita água (porque o calor era muito), partimos de manhã cedo para visitar Porto Rico, outro ponto do Soyo que serviu de praça de comércio e de porto de embarque de escravos. Voltamos à picada que segue em direcção ao N’Zeto e, dez quilómetros depois, viramos para o desvio à direita que conduz à aldeia do Sumba. São mais 21 quilómetros até encontrarmos Kikandi, outra pequena aldeia que fica à beira da estrada e onde nos podemos informar do desvio, à esquerda, para o lugar onde em tempos foi instalado o Porto Rico.

A descida é de apenas cinco minutos até encontrarmos uma pequena enseada nas margens de mais um dos muitos canais do rio Zaire. Um lugar pitoresco, sossegado, onde podemos fazer um piquenique, apreciar a paisagem, tirar fotografias e reviver a História reconstruindo na imaginação o movimento que ali terá sido gerado há 500 anos, com o comércio e embarque dos escravos para terras distantes.

Um passeio inesquecível

E se pensávamos que as nossas aventuras e emoções se tinham esgotado, estávamos enganados. Para o fim ficou reservado o melhor deste giro turístico pelo Soyo e arredores: um passeio de barco pelo rio Zaire e por alguns dos seus mais espectaculares canais.

São duas as opções para alugar uma embarcação que nos leve até à Ponta do Padrão e aos inúmeros canais e ilhas espalhados por muitos quilómetros à volta do rio: contactar com a recepção do Hotel Nempanzu, mesmo no centro do Soyo, ou com a recepção do Resort Kinwica, situado no desvio à direita (de quem circula para a saída do Soyo em direcção a Luanda), a seguir às bombas de combustível.

A pequena embarcação pode ser alugada por 12 mil Akz à hora e a viagem que propomos dura cerca de quatro horas, valendo bem a pena. Há ainda a possibilidade de se organizar uma viagem mais longa (de cerca de seis horas rio acima) à Pedra do Feitiço, lugar emblemático da tradição e cultura locais. É uma ilha de pedra situada a meio do Rio Zaire e onde existe uma unidade da Marinha angolana. Uma viagem que, no entanto, precisa de preparos especiais e que, por isso, deve ser antecipadamente solicitada e preparada.

Para esta viagem mais pequena, podíamos ter saído do pequeno embarcadouro do Hotel Nempanzu, onde estão baseadas as embarcações, mas foi possível partir da enseada do canal do rio Zaire que banha o Resort Kinwica. Por entre a vegetação luxuriante, entrecortada por mangais, seguimos em direcção à foz. O nosso roteiro estava traçado com visitas à Ilha do Kifundango, ao Farol, aos canais da Moita Seca, Ponta do Padrão, Ilha de Luamba e, finalmente, uma passagem pelo troço do rio onde há mais de 500 anos funcionou o Porto M’Pinda para comércio e embarque de escravos.

Se o início da viagem faz girar a nossa imaginação a grande velocidade, mais impressionados ficamos quando o passeio nos conduz para o interior dos canais do rio. Estes estão enfeitados com milhares de raízes dos mangais, que nos cercam, e com uma folhagem cerrada a tapar a luz do sol, tornando-os sombrios mas ao mesmo tempo belos e exóticos.

As águas calmas escondem cardumes que alimentam as gentes que habitam as margens do rio ou as várias ilhas, em pequenas aldeias de pescadores. A beleza rara da paisagem impressiona e convida a disparar a máquina fotográfica uma e outra vez, quase sem parar, para registar cada momento, cada ângulo, cada rosto que sorri à nossa passagem, também saudada com acenos simpáticos de boas-vindas.

Já com o mar à vista – e ao longe o choque do rio com o Atlântico –, chegamos à baía que, em 1482, viu desembarcar a armada de Diogo Cão. Ali está situado o Padrão colocado para assinalar a chegada dos primeiros portugueses ao reino do Congo e aos territórios que hoje são Angola. Na Ponta do Padrão, somos recebidos pelo comandante da pequena unidade da Polícia de Guarda Fronteira que nos autoriza a visita e nos conduz ao marco histórico. Passamos ainda pela Cruz colocada uns metros antes no local onde se diz que foi dada a primeira missa católica em Angola pelos missionários que acompanharam o navegador português. Também ali, na Ponta do Padrão, está uma construção mais recente, a Casa da Tartaruga, do Projecto Sereia, que é da responsabilidade da empresa Angola LNG, e que se desenvolve um pouco mais para Sul, nas praias da Sereia e das Tartarugas, situadas nos arredores do Soyo. Actualmente, não é possível o acesso aos visitantes devido a este projecto de protecção marinha e ao facto de, nessas praias, estar localizado um empreendimento de petróleo e gás natural considerado estratégico e, por isso, protegido pelas autoridades.

Tome nota

Como ir: Para chegar ao Soyo, o mais rápido e confortável é viajar de avião. A cidade do Soyo tem um aeroporto com capacidade para aviões de médio porte, como são os aparelhos Boeing 737-700 da TAAG. Em Luanda, também é possível alugar pequenos aviões a empresas privadas que fazem ligações para o Soyo. Se gosta de aventura e todo-o-terreno pode seguir de carro pela estrada de ligação à província do Bengo, com um desvio para a Barra do Dande, em direcção ao N’Zeto, sempre em asfalto. Uns quilómetros mais adiante há uma picada de 150 quilómetros que se faz em cerca de 4 horas e que só termina na cidade do Soyo.

Onde ficar: No Soyo está situado o Kinwica Resort-Hotel, (http://www.kinwica.com | kinwica@gmail.com | kinwica@facebook.com ou Tel.: +244 926 502 044), onde se pode hospedar e dormir confortavelmente num dos bungalows localizados muito perto de um dos muitos canais do rio Zaire. O hotel de 4 estrelas Nempanzu, situado no centro da cidade, igualmente junto às águas do rio, é outra opção (luís.simoes@hotelnempanzu.net | luís.caldeira@hotelnempanzu.net ou Tel.:+244 923 221 510 e +244 935 484 166).

Onde comer: Os restaurantes do Kinwica Resort-Hotel e do Hotel Nempanzu oferecem pratos de qualidade da gastronomia angolana e internacional. No Kinwica, o serviço é à carta, que também pode ser encontrado no Nempanzu, que também serve um buffet ao almoço e ao jantar. Pela cidade do Soyo e existem vários restaurante igualmente de qualidade.

Preços médios: A hospedagem no Kinwica Resort-Hotel ronda os 40 mil Akz por noite com pequeno-almoço, enquanto o Nempanzu Hotel oferece preços médios de hospedagem na ordem dos 30 mil Akz.

Cuidados a ter: Por ser uma zona mais perto dos trópicos e de muitos canais de rio, é aconselhável levar repelente de insectos.

Imperdível: O passeio de barco pelo rio Zaire e seus canais.


Zaire: River mysteries and sea stories

By Pedro Correia
Photos by Vasco Célio

This article was published in the February – March 2015 edition of Rotas & Sabores magazine, Luanda Nightlife’s media partner. Read the magazine in full here.

The small boat glides quickly through the waters of Zaire River. The dazzling sight that opens up before us shows the vastness of the river that stretches from the lands where the Portuguese navigator Diogo Cão disembarked more than 500 years ago to Congo – which comes in sight on the other riverbank among mountains rising up above the horizon. The slowing down of the two 40hp engines announces new emotions somewhere along the vast waterway network of this powerful river, which unfolds its long dark arms to embrace the vast mangrove providing shelter for exotic birds and fish.

The fastest and most convenient way to get to Soyo is by plane. But if you’re fond of 4WD journeys, you can head north through the road that connects the provinces of Luanda and Bengo. Shortly after the detour of Kifangongo, turn left towards the popular beach Barra do Dande, about 49 miles from Luanda. Then there’s another 120 miles or so to N’Zeto on a paved road in good condition. You’ll enjoy the 4WD adventure to its fullest in the last 90-mile stretch to Soyo, starting a few miles after the village of N’Zeto. This ride can be done in 5 hours, but during the wet season (November to April) the road poses some challenges, forcing travelers to take detours or find parallel dirt tracks through the surrounding villages, which means that sometimes you’ll have to ask permission of the village chief and pay a symbolic “fee” up to one thousand kwanzas.

Formerly known as Santo António do Zaire, Soyo is located on the left bank of Zaire River and is now a fast growing border town. Migration fluxes are intense, both into and out of Soyo, where many Congolese come to trade or visit friends and relatives, or to establish themselves on this side of the river. The main street is above all a single big market where everything is sold; a mixture of habits and cultures rarely seen in other parts of Angola. To get the whole picture just add people from around the world, who work at Kwanda base, one of Angola’s most important economic hubs and headquarter of the largest oil companies operating in the country.

Discover tourism in Soyo

Gorgeous beaches, beautiful landscapes, the power and mystery of Zaire River and its countless waterways, picturesque sights amidst the forest plus loads of history, relics and ruins, make the municipality of Soyo the ideal place for tourist discoveries.

We left early for Kifuma beach, located around 18 miles from Soyo. The road is the same that leads to N’Zeto and Luanda: a flatten dirt track that makes for a more enjoyable trip. At km 34 take the road on your right for about five minutes until you get to a wide golden sandy beach that invites you to a refreshing swim in the warm morning sun. Those who like surfing can ride the waves crashing on the shore and watch the shoals that fishermen caught in their nets casted at dawn. By the sea, a terrace restaurant offers table service. It’s part of a small tourist complex where travelers can rent a bungalow for the night.

But if you want to explore other great places nearby head to Tombe beach, go back to the main road and ride another 3 miles towards N’Zeto; then turn right to find another awesome beach, where an eco-lodge is being built. Back in Soyo and just outside the town, at an intersection that also leads to M’pinda Mission, turn left to find the beaches of Canhão and Zé Kitomba, where besides a good swim you can also enjoy a party atmosphere in a small venue complete with bar and terrace.

Before going back to Soyo and the comfort of our hotel, we still have time to visit the church of Santo António do Zaire. At the junction with the main road, we headed to the Catholic Mission of M’Pinda and turned left past a Christian cross; then, again on the left side, we took a large sandy path lined with trees that hide the late afternoon sun. The imposing church of Santo António do Zaire rises among dense vegetation since 1932. Well preserved, today it is part of a compound belonging to the Catholic Church that includes a boarding school.

M’Pinda Mission was the first Catholic mission built in the territories that are now Angola. It was here, on 3 April 1491, that Mani-Soyo (or Lord of Soyo – the ruler at the time) received his Christian name: Manuel. And it was in the village of M’Pinda, on the banks of one of the countless Zaire River waterways, that later the Portuguese built a port for trading and shipping slaves, mainly to São Tomé and Brazil. Today, the place is only known by local people and can only be visited by boat.

But there are other historical sites worth a visit in Soyo. After planning our trip, we packed lunch and plenty of water (it was really hot when we traveled) and left early in the morning to visit Porto Rico, another market and slave port in Soyo. We took the dirt road heading to N’Zeto and after 6 miles we turned right at the detour leading to the village of Sumba. After 13 miles we arrived at Kikandi, another small roadside village, where we asked for the right direction – and were told to take the detour on the left – to get where Porto Rico was once established.

The descent takes only five minutes. A small cove waits for you on the bank of one of the many Zaire River waterways; a picturesque and quiet place, and a great spot for a picnic, to relax and enjoy the scenery, take pictures and relive History imagining the port’s hustle and bustle 500 years ago, when slaves were traded and shipped to distant lands.

A memorable boat trip

If you’re thinking adventure and emotion are over, you’re wrong. The best part of this holiday tour across Soyo is just about to start: a boat trip along the Zaire River, including some of its most spectacular waterways.

There are two options to rent a boat to get to Ponta do Padrão and the continent’s largest network of navigable waterways and islands scattered for miles around the river. Contact the reception of Nempanzu Hotel, right in Soyo’s downtown, or Kinwica Resort’s front desk, located on the detour to your right if you’re heading out of Soyo towards Luanda, just after the gas station.

You can rent a small boat for 12,000 Akz per hour. The journey takes about four hours and is worth every second. Alternatively, you can choose a longer trip up river that takes about six hours to Pedra do Feitiço (Spell Stone), an iconic spot for local culture and tradition. It’s a stone island right in the middle of the Zaire River used by the Angolan Navy, which means you’ll need to plan the trip in detail and ask for a special permission in advance.

For this shorter trip, we could have departed from the small Nempanzu Hotel dock, where the boats are anchored, but we choose to set sail from the Zaire River inlet channel that passes through Kinwica Resort. We headed towards the river’s mouth amidst lush vegetation dotted with mangroves. We had a clear itinerary, including a visit to Kifundango Island and the waterways of Moita Seca, Ponta do Padrão and Luamba Island. The final stretch will take us to the area where Porto M’Pinda was founded more than 500 years ago, the port where slaves were sold and shipped away.

The beginning of the journey already captured our imagination, but as the boat took us further inland over this vast waterway network we realized we were getting even more excited about it. Thousands of mangrove roots decorated the channels around us and the thick foliage covered the sunlight, making them shady but beautiful and exotic at the same time.

The tranquil waters hide shoals of fish, the primary source of food for the people living in small fishing villages nestled on the banks and islands along the river. The rare beauty of the landscape is incredibly impressive and invites you to grab the camera and shoot over and over again, almost non-stop, to record every moment, every angle and every face smiling and greeting us with a warm welcome.

As we approach the sea, we perceive the place where the river meets the Atlantic. And there it is: the bay where Diogo Cão and his men disembarked back in 1482, as well as the Padrão (Stone Pillar) that marks the arrival of the first Portuguese to the kingdom of Congo and the territories that are now Angola. Our host at Ponta do Padrão, the commander of the small Border Guard unit stationed here gave us permission to go ashore and guided us to that historical landmark. On the way there, he showed us a stone cross. Legend has it that this was the place where the missionaries travelling with the Portuguese navigator celebrated the first Catholic Mass in Angola. At Ponta do Padrão you’ll find a newer building, Casa da Tartaruga that is part of Project Sereia – supported by Angola LNG –, which operates a little further south on the beaches of Sereia and Tartaruga, located in Soyo’s vicinity. Presently, visitors are not allowed in the area since it encompasses Sereia’s marine conservation project along with oil and gas plants deemed strategic and therefore protected by the Angolan authorities.

Take note

How to go: The fastest and most convenient way to get to Soyo is by plane. The city of Soyo has an airport that handles midsize aircraft, like TAAG’s Boeing 737-700. In Luanda you can also rent a small plane from private companies connecting to Soyo. If you like adventure and 4WD rides just hit the road heading to Bengo province and take the detour to Barra do Dande towards N’Zeto along a paved road. Further ahead, you enter a 90-mile dirt track that takes around 4 hours to complete and goes towards Soyo, where it ends.

Where to stay: Kinwica Resort-Hotel (www.kinwica.com; kinwica@gmail.com; kinwica@facebook.com; Phone: +244926502044) is located in Soyo and offers comfortable bungalows next to one of the many waterways crisscrossing Zaire River. The 4-star hotel Nempanzu, in the heart of the city and beside the river, is another good option: luís.simoes@hotelnempanzu.net; luís.caldeira@hotelnempanzu.net; +244 923 221 510 or +244 935 484 166).

Where to eat: Both Kinwica Resort Hotel and Hotel Nempanzu have restaurants offering great Angolan and international cuisine. Kinwica has a la carte service, while Nempanzu offers not only a la carte meals but also lunch and dinner buffet. You’ll also find several good quality restaurants in the city of Soyo.

Average prices: Kinwica Resort-Hotel has doubles for 40,000 Akz per night with breakfast and Nempanzu Hotel charges 30,000 Akz per room per night.

Safety tips & Precautions: Since Soyo is located in the equatorial tropical region and has many waterways, it’s important to bring a good insect repellent.

Must-do: A boat tour along the Zaire River and its waterways.

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